# Whatever Happened To My Rock 'n' Roll? #

Cultura pop (Cinema, Música, Games, HQs) e muito Rock'n' Roll

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Nome: Jim
Local: São Paulo, SP, Brazil

20 de Janeiro de 2009

Ombudsman de bêbado...

"Escuto pacientemente como um ouvidor-geral da boemia e da noite, um paciente ombudsman das criaturas que vagam sem rumo e de tantos outros barcos bêbados da madruga..."

Chico Sá

15 de Novembro de 2008

Mudanças

“Há momentos nesse mundo em que você tem que escolher entre as coisas da vida e as que te fazem viver!”

Decidi começar esse texto com essa frase que tirei de uma música de capoeira. Sei que normalmente coloco essas frases no final, mas o que quero falar nesse texto gira muito em torno do que essa frase quer dizer. Ainda não conseguir compreender bem a profundidade dela, acho que na verdade nem mesmo o autor teve noção da profundidade que essas poucas palavras podem atingir.

Muitas pessoas acreditam que somos apenas um erro dentro da lógica desse mundo, que somos filhos, e escravos, do acaso, então por que se preocupar, não é mesmo? Vamos morrer de qualquer forma... Eu acredito que estamos aqui por um motivo muito mais nobre que esse, portanto essa frase cai em meu pequeno mundo como uma bomba atômica.

Oh, meu Deus? Do que eu devo abrir mão para ter o que realmente é importante? O que de fato me faz viver? Complicado, não? Desde que ouvi essa frase a primeira vez, tento entender o que ela quer me dizer. Sim, isso mesmo, me dizer, pois o que ela está me falando é certamente muito diferente do que ela vai te falar. No entanto, no final teremos aprendido algo em comum: é necessário sacrificar-se para alcançar o que realmente desejamos.

Durante nossa vida somos diariamente convocados a tomar essa decisão e na maioria dos casos não somos capazes de entender o chamado ou ainda capazes de largarmos tudo que nos atrasa, largar a mesmice que se tornou a nossa vida e isso apenas pelo medo do que virá e da luta que definitivamente enfrentaremos. Pois eu prefiro pensar como o Raul e também quero mudar sempre e não permanecer fechado no meu mundo “com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”. A mudança é dolorida, mas necessária.

Assim como o diamante, também devemos chorar no nosso processo de lapidação. Claro que não somos obrigados a passar por tanto sofrimento, mas nos apegamos tanto às coisas da vida que quando somos obrigados a abrir mão das coisas acabamos por criar o nosso próprio sofrimento. Isso sem contar as vezes que decidimos não abrir mão do que é preciso e sofremos ainda mais com essa decisão.

Não tenha medo de deixar para trás as coisas da vida sejam elas quais forem e vá atrás do que te faz viver.

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4 de Julho de 2008

O enterro do lavrador

— Essa cova em que estás, com palmos medida, é a conta menor que tiraste em vida.
— É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe deste latifúndio.
— Não é cova grande, é cova medida, é a terra que querias ver dividida.
— É uma cova grande para teu pouco defunto, mas estarás mais ancho que estavas no mundo.
— É uma cova grande para teu defunto parco, porém mais que no mundo te sentirás largo.
— É uma cova grande para tua carne pouca, mas a terra dada não se abre a boca.

— Viverás, e para sempre, na terra que aqui aforas: e terás enfim tua roça.
— Aí ficarás para sempre, livre do sol e da chuva, criando tuas saúvas.
— Agora trabalharás só para ti, não a meias, como antes em terra alheia.
— Trabalharás uma terra da qual, além de senhor, serás homem de eito e trator.
— Trabalhando nessa terra, tu sozinho tudo empreitas: serás semente, adubo, colheita.
— Trabalharás numa terra que também te abriga e te veste: embora com o brim do Nordeste.
— Será de terra tua derradeira camisa: te veste, como nunca em vida.
— Será de terra e tua melhor camisa: te veste e ninguém cobiça.
— Terás de terra completo agora o teu fato: e pela primeira vez, sapato.
— Como és homem, a terra te dará chapéu: fosses mulher, xale ou véu.
— Tua roupa melhor será de terra e não de fazenda: não se rasga nem se remenda.
— Tua roupa melhor e te ficará bem cingida: como roupa feita à medida.

...

— Despido vieste no caixão, despido também se enterra o grão.
— De tanto te despiu a privação que escapou de teu peito a viração.
— Tanta coisa despiste em vida que fugiu de teu peito a brisa.
— E agora, se abre o chão e te abriga, lençol que não tiveste em vida.
— Se abre o chão e te fecha, dando-te agora cama e coberta.
— Se abre o chão e te envolve, como mulher com quem se dorme.

João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina)

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11 de Junho de 2008

Amor e Humildade

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Em memória de Francisco de Assis

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24 de Março de 2008

Ah... Se Sesse...

Se um dia nós se gostasse
Se um dia nós se queresse
Se um dia nós se empareasse
Se juntim nós dois vivesse
Se juntim nós dois morasse
Se juntim nós dois drumisse
Se juntim nós dois morresse
Se pro céu nós assubisse
Mas porém se acontecesse
De São Pedro não abrisse
A porta do céu
E fosse de dizer qualquer tolice.

E se eu me arreliasse
E tu cum eu insistisse
Pra que eu me arresorvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvez que nós dois ficasse
Tarvez que nós dois caisse
E o céu furado arriasse
E as virge toda fugisse

Zé da Luz

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7 de Maio de 2007

Think about it...

A vida é algo fascinante não é mesmo? Cara, é impressionante como ainda me surpreendo com as atitudes que as pessoas tomam, e estou falando das minhas próprias também, é claro.

Temos a mania de deixar de viver as coisas por algo que no fundo não vale nada e acabamos perdendo tempo precioso de nossas vidas, ficando velho, vivendo sem viver... Não sei bem se isso já aconteceu comigo, talvez sim, mas certamente já deve ter acontecido com você. Gosto do risco, gosto da tentativa, acho que todos temos que tentar, temos que lutar pra que as coisas dêem certo, mas até onde devemos ir?

Não sei. Apenas vou, mas aprendi a ser sábio o suficiente para não tentar mudar o que não pode ser mudado, aprendi que não existe nada, e nem ninguém, mais importante do que você próprio (um pouco de egocentrismo e amor próprio faz bem às vezes hehe) pq no fundo não da pra ser feliz passando por cima de você mesmo, a felicidade é sua. Aprendi nos poucos anos que já vivi que na vida tudo passa, amigos se vão, amores se perdem, mas você sempre estará lá, portanto apenas uma pessoa vai poder fazer você feliz: você mesmo. Depois que consegui isso aí sim você estará pronto para ser feliz junto com outras pessoas...

Seja uma pessoa feliz ;)...

"Deixar que os fatos sejam fatos naturalmente
sem que sejam forjados para acontecer.

Deixar que os olhos vejam os pequenos detalhes lentamente.

Deixar que as coisas que lhe circundão estejam sempre inertes
como móveis inofensivos para lhe servir quando for preciso
e nunca lhe causar danos sejam eles morais, físicos ou psicologicos."
(Chico Science)

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18 de Abril de 2007

Ao Som do Mar e À Luz do Céu Profundo


No final do ano de 1959 o Brasil vivia os últimos dias do governo JK. O país passava por uma de suas melhores fases e o otimismo tomava conta de todos. O efervescente Rio de Janeiro do final dos anos 50, prestes a perder o posto de capital para Brasília, é o palco dessa história, mais precisamente o Bairro Peixoto, um pequeno bairro cravado no coração de Copacabana.

Tudo começa com a mudança da família do coronel Kleber Ferreira para o Bairro Peixoto, como tanto sonhara Dona Eva sua esposa. Com seus filhos, Marina e Zé Roberto já criados, Eva convence o rigoroso marido a deixá-la trabalhar e abre uma loja de doces com sua amiga Lucila, a Bom Bocado, e lá conhece o delegado Noronha com quem acaba tendo um intenso caso de amor.

Caroline é uma jovem americana de 17 anos, filha do coronel Francis W. Simon, ambos apaixonados por esse país paradisíaco e sua música que conheceram nos filmes de Hollywood. Carol fica muito "excited", como gosta de falar o autor, com a transferência do seu pai para trabalhar na embaixada americana no Brasil, ela finalmente poderia conhecer esse país lindo, sua música e principalmente o seu futebol, uma de suas paixões. O Bairro Peixoto nunca mais será o mesmo depois da chegada dessa adolescente moderna, pelo menos para os padrões brasileiros daquela época, que mudará a vida de todos à sua volta.

Bombril é um "neguinho" magrelo e dentuço, filho de Nazaré empregada dos Ferreiras, que mora com a mãe na casa do coronel Kleber. Com a chegada de Carol na vizinhança ele logo se apaixona pela bela americana de peitos grandes e garante alguns dos momentos mais engraçados, e sacanas, do livro sempre observando o que acontece na casa do coronel Simon da janela do seu banheiro. No entanto, ele acaba se tornando o melhor amigo de Caróu, e não Querol. Carol tinha aprendido um pouco de português em Los Angeles e não aceitava que ninguém falasse seu nome com o sotaque americano.

Enquanto seu pai viúvo se encantava com a vida agitada da Copacabana do início dos anos 60 e literalmente "pegando geral", ela ia fazendo amizades com todos no Bairro Peixoto, aprende a jogar futebol com Bombril e logo vira a melhor amiga de Marina.

O coronel Kleber no entanto, fica arrasado com a traição da esposa e dá-lhe uma bela surra, afinal de contas o homem tinha que manter a sua honra era o que mandava a sociedade da época. Ainda mais se tratando de um coronel do exército brasileiro, respeitado professor do Instituto Militar de Engenharia. Dona Eva não pensava assim e acaba fugindo de casa e decidindo se separar do seu marido para viver o seu grande amor com o delegado Noronha, deixando ainda mais arrasado o pobre corno e arrependido coronel, mas o destino ainda iria pregar algumas peças não muito agradáveis à Eva.

A partir desse ponto o história vai se desenrolando de forma despretensiosa e com uma grande riqueza de detalhes sobre o cotidiano da época enquanto Bombril, Carol e Marina vão se tornando amigos inseparáveis e vivendo grandes momentos juntos, e também algumas grandes tragédias. Entre eles os sentimentos se misturam. Seus medos e suas esperanças, o amor e o desejo, a alegria e a tragédia, todos os sentimentos caminham juntos. E é assim que todos eles vão vivendo: Ao som do mar e à luz do céu profundo.

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